Uma parceria entre a brasileira Kolecti, associada à ACR, e a americana Dropcoter possibilitou um salto no melhoramento genético do gênero pinus no Brasil. O projeto de um drone desenvolvido nos Estados Unidos, inicialmente para polinização de árvores frutíferas, recebeu implementos e sugestões da empresa brasileira e agora está pronto para operar com melhoramento genético de pinus.

Atendendo a um convite do Fundo Cooperativo para Melhoramento de Pinus (Funpinus), a Kolecti participou no início do mês de agosto de um dia de campo no município de Ponte Alta do Norte, em Santa Catarina. O encontro aconteceu em um pomar de melhoramento genético, dentro de uma área da empresa Berneck, uma das principais fabricantes de painéis decorativos de madeira do Brasil.

O drone polinizador, desenvolvido pela Dropcpter, já opera com sucesso em pomares frutíferos nos Estados Unidos e, também, em plantações de tâmaras em Israel. Agora, com pioneirismo no Brasil, a Kolecti é a primeira empresa do mundo a utilizar esta tecnologia para florestas de pinus.

A equipe também demonstrou o funcionamento de um coletor de pólen mecanizado e apresentou uma unidade móvel da empresa, que em breve atuará como laboratório itinerante para melhoramento genético de espécies vegetais. A Kolecti, que já tem histórico na coleta e beneficiamento de pólens e sementes de diferentes gêneros e espécies, além de experiência em aplicação para polinização suplementar, polinização massal e controlada, agora oferece esta nova ferramenta para polinização. “Nossa intenção é suprir certas demandas para algumas espécies de pinus, que necessitam de ajuda de meios artificiais na polinização para catalisar o processo de melhoramento genético”, explica o engenheiro florestal e diretor da Kolecti, Julio César Soznoski.

Entre as vantagens da utilização desta nova tecnologia, o engenheiro florestal destaca que com o drone deixa não há dependência de agentes polinizadores, sejam eles abióticos (vento) ou bióticos (insetos, pássaros) que podem não contribuir no período da polinização. Ele lembra também que é possível fazer intervenções em períodos com alta umidade relativa do ar ou chuvas, que acabam prejudicando a dispersão de pólen e consequentemente a polinização. Por último, Julio César reforça que a utilização do drone pode suprir o que é conhecido por “janela crítica”, que é quando a flor está receptiva, porém não há pólen disponível para o cruzamento. “O drone intervém com a aplicação do pólen desejado. Além disso, podemos induzir o cruzamento dos melhores genes com combinações fenológicas para atender as necessidades da indústria para cada finalidade de madeira”, conclui o diretor da Kolecti.

Os drones da Dropcopter foram projetados para espalhar o pólen diretamente sobre a copa das árvores, no ponto exato, reduzindo o desperdício e melhorando a eficiência. Os voos são realizados de forma autônoma e cada drone pode cobrir até 10 hectares em uma hora de trabalho.

“Estamos em constante especialização no que envolve a coleta, beneficiamento e aplicação de material genético. Trabalhamos com o máximo cuidado na utilização de pólen de qualidade, responsável direto pelo ganho genético das florestas plantadas. Temos à disposição das empresas de base florestal serviços de coleta mecanizada e manual de pólen. Este ano teremos o lançamento da unidade móvel de processamento de pólen, com toda a infraestrutura necessária para o beneficiamento e conservação do pólen. Somos hoje a primeira empresa florestal do mundo com serviços de ponta a ponta: coleta, beneficiamento e aplicação”, conclui Soznoski.

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