Um estudo contratado pela ACR e desenvolvido em 2019 pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC-CAV) identificou que o estado de Santa Catarina possui 828,9 mil hectares de área com florestas plantadas. Desta totalidade, a grande maioria ou 67% (553,6 mil hectares) com Pinus. Cerca de 33% (275,3 mil hectares) são ocupados com Eucalyptus.

Empregos e tributos
Historicamente, Santa Catarina é responsável por gerar 15% do número de empregos formais dentro do setor florestal brasileiro de base plantada. Em 2017, o Brasil registrou 598 mil empregos diretos neste setor, com perspectiva de manutenção nos níveis de emprego em 2018, o que representou aproximadamente 600 mil postos de trabalho. Santa Catarina, que em 2017 consolidou 90 mil empregos, teve um acréscimo de 200 novos postos em 2018. Outro reflexo está na arrecadação de tributos, diretamente proporcional ao desempenho do setor florestal no Valor Bruto da Produção da Silvicultura (VBPS). A produção de madeira em toras em Santa Catarina no ano de 2018 arrecadou R$ 137,6 milhões em tributos.

Estatísticas do número de empresas por segmento em Santa Catarina de 2018 contabilizam 2.568 empresas de móveis, representando 46% do total. Este segmento é seguido pelo de serrarias com desdobramento de toras com 1.028 estabelecimentos, ou seja, 18% do total de empresas no estado. Na sequência, observam-se fábricas de esquadrias de madeira e de peças para instalações industriais/comerciais com cerca de 500 empresas, representando 9% do total. As demais empresas somam 1.486 estabelecimentos e representam 27% do total presente no estado.

Meio ambiente
Considerando a ocupação média de 40% com área protegida nas propriedades com plantios florestais no estado, estima-se que o setor de base florestal catarinense seja responsável pela proteção e preservação de 553 mil hectares, cerca de 20% da cobertura total protegida em Santa Catarina. A área plantada (828 mil hectares) é responsável pelo estoque de 178 milhões de toneladas de CO2eq. Somando à área preservada e com vegetação nativa (155 milhões de toneladas de CO2eq), a silvicultura em Santa Catarina faz o sequestro de 333 milhões de toneladas de CO2eq.

Produtividade em Santa Catarina
Especialmente o Pinus adaptou-se ao estado de Santa Catarina devido às condições edafoclimáticas serem favoráveis para o seu desenvolvimento. Santa Catarina mantém-se no ranking dos estados com maior área plantada. Grande parte da base florestal plantada de Santa Catarina está concentrada em empresas integradas verticalmente, garantindo o abastecimento de matéria-prima em seus processos industriais.

A produtividade florestal média (IMA) no Brasil é de 30,5 m³/ha.ano para o Pinus (IBÁ, 2017). Empresas de maior porte e com alto nível tecnológico atingem médias maiores, dependendo da localização dos seus plantios e investimento empreendido. Em relação à Santa Catarina, no que diz respeito ao clima, o estado apresenta temperaturas mais baixas nos meses de inverno, o que não compromete o desenvolvimento deste gênero (espécies Pinus taeda e Pinus elliottii). A produtividade florestal média do Pinus no estado de Santa Catarina está entre 34-37 m³/ha.ano. O estado de Santa Catarina possui um número representativo de serrarias de Pinus, as quais estão concentradas em polos industriais ou distribuídas em torno destes polos. Em muitos casos, estas empresas detêm plantios florestais que abastecem parte de sua necessidade por matéria-prima para fins industriais. De um modo geral este segmento é caracterizado no estado por empresas de porte médio a pequeno, em muitos casos: familiares.

Em 2018 a produção de madeira serrada de Pinus no Brasil atingiu 7,84 milhões de m³, enquanto o consumo aparente foi de 5,30 milhões de m³ do produto. A evolução histórica da produção de madeira serrada de Pinus no Brasil se manteve praticamente constante entre 2009-2013, com a taxa de crescimento anual na produção de 0,9%.

Desenvolvimento de material genético
As condições de clima e solo e um longo trabalho de melhoramento genético transformaram a Região Sul do Brasil em uma das principais produtoras de madeira de pinus do mundo. A matéria-prima, de alta qualidade, é também muito versátil. Atende uma diversificada linha de produtos: celulose e papel, embalagens, madeira serrada para móveis e diversos outros segmentos.

As pesquisas com pinus começaram na década de 1970, quando Brasil, África do Sul, Colômbia, Zimbábue, Índia e Honduras criaram uma rede experimental através de um programa de cooperação internacional. O melhoramento do pinus no Brasil foi implementado por empresas florestais, principalmente indústrias de celulose e papel e instituições de pesquisa, entre elas a Embrapa Florestas. “O principal objetivo do melhoramento é a perpetuação de exemplares mais fortes. Porém, na silvicultura já é possível atender diferentes necessidades da indústria”, explica Ananda Virgínia de Aguiar, engenheira agrônoma e pesquisadora da Embrapa Florestas.

Para fomentar a pesquisa com as árvores e madeira do Pinus foi criado o Fundo Cooperativo para Melhoramento de Pinus – FUNPINUS. O FUNPINUS é uma entidade jurídica, com estrutura administrativa composta por três conselhos: deliberativo, fiscal e consultivo, além de uma secretaria. Também tem organização financeira própria. Um Termo de Cooperação, firmado com empresas e entidades associadas regula as ações e compromissos e, sua figura jurídica representa os associados. O Funpinus dá suporte administrativo e financeiro ao Projeto Cooperativo de Melhoramento de Pinus – PMCP.

O Projeto Cooperativo de Melhoramento de Pinus – PCMP, é uma iniciativa da Embrapa Florestas, Associação Catarinense de Empresas Florestais – ACR, Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal – APRE, e empresas florestais. O grande objetivo é concentrar esforços para viabilizar materiais genéticos melhorados de pinus, incluindo híbridos de alto desempenho, para atendimento a demandas crescentes de produtos de madeira e resina.

O Projeto tem como principal instrumento operacional a parceria com a Embrapa Florestas. A formalização dessa parceria possibilita a atuação da instituição em benefício dos associados, por exemplo, através do envolvimento de especialistas em melhoramento genético e em áreas correlatas como propagação vegetativa (enxertia, cultura de tecidos e embriogênese somática), polinização controlada e testes de qualidade de madeira para seleção, resistência a pragas e a fatores bióticos diversos, entre outras.

Os participantes do PCMP podem ser pessoas físicas ou jurídicas (empresas) públicas, privadas ou de economia mista, com interesse no desenvolvimento e uso de material genético de pinus de alta produtividade e qualidade. Os participantes têm envolvimento em todo processo, desde a ampliação e diversificação da sua base genética, instalação de materiais em campo, até a produção e uso de sementes e clones melhorados.

O PCMP pode contar com participantes que tenham (ou não) interesse em conservação de material genético, receber material genético desenvolvido, participar das seleções, cruzamentos ou instalar testes genéticos. Também podem participar do PCMP, instituições ou organizações identificadas como importantes para os esforços de pesquisa para o melhoramento genético (com infraestrutura, expertise em áreas como biotecnologia, estatística, tecnologia da madeira, entomologia, fitopatologia etc.).

O PCMP tem por premissa básica oferecer um trabalho adicional ao que vem sendo desenvolvido individualmente pelas empresas. Assim, mantém-se a independência e autonomia sobre os trabalhos particulares de cada participante. Isto significa que materiais, estratégias e conhecimentos desenvolvidos ou adquiridos por uma empresa sejam de domínio total e exclusivo dela própria, cabendo a ela decidir sobre sua política com relação a estes itens.

Este conteúdo foi desenvolvido com informações contidas no Anuário Estatístico de Base Florestal para o estado de Santa Catarina 2019 e no Fundo Cooperativo para Melhoramento de Pinus – FUNPINUS

A produção catarinense de madeira em toras no ano de 2018 arrecadou R$ 137,6 milhões em tributos.

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