Uma audiência pública realizada na quarta-feira (8), em Garuva (SC), reuniu mais de 700 pessoas para discutir a proposta de criação do Parque Nacional Serras do Araçatuba e Quiriri. O encontro evidenciou a forte mobilização regional, com a participação de moradores, produtores, lideranças e autoridades de municípios como Garuva, Campo Alegre, Joinville e Tijucas do Sul.

Promovida pela Câmara de Vereadores, com apoio da Prefeitura de Garuva, a audiência teve como objetivo ampliar o debate e garantir transparência sobre os possíveis impactos da nova unidade de conservação. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela proposta, não participou presencialmente e encaminhou um vídeo institucional, apresentado ao público durante o evento.

Durante a reunião foram registrados diversos questionamentos e manifestações relacionadas aos efeitos da criação do parque sobre o território e o impacto às atividades econômicas, além da segurança jurídica na região. Entre os participantes, o diretor-executivo da Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Mauro Murara Jr., defendeu a importância de estudos mais aprofundados antes de decidir sobre a implementação de novas unidades de conservação.

Segundo ele, a criação de parques ambientais sem um embasamento técnico, científico, econômico e social consistente pode gerar insegurança jurídica e comprometer o desenvolvimento regional. “É fundamental que decisões dessa magnitude considerem não apenas a preservação ambiental, mas também os impactos sobre a economia local, os produtores e as comunidades que vivem na região. São famílias inteiras que tiram seus vivem ali há gerações e é de onde tiram seus sustentos”, afirmou.

O prefeito de Garuva, Plotino de Bittencourt, também reiterou o posicionamento contrário do município à proposta. Em sua fala, ressaltou que a cidade já mantém compromisso com a preservação ambiental, mas defendeu que isso deve ocorrer de forma equilibrada, respeitando a realidade local e as atividades produtivas.

Ao final da audiência, ficou definido que todo o conteúdo registrado, incluindo manifestações, documentos e apontamentos, será organizado e encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente. A iniciativa busca formalizar o posicionamento da comunidade e garantir que as contribuições locais sejam consideradas no processo de análise da proposta.

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