O diretor-executivo da Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Mauro Murara Jr., participou junto com Mário Wanzuita, diretor da Holtz Engenharia e Negócios, de um episódio do podcast Woodflow dedicado à análise do mercado da madeira e às perspectivas para o setor florestal brasileiro. Durante a conversa, ele abordou o potencial de expansão da silvicultura em Santa Catarina, as características da estrutura fundiária do estado e os desafios que afetam a competitividade da indústria, especialmente os custos e a burocracia nos processos de exportação.

Ao discutir as possibilidades de ampliação da base florestal catarinense, Mauro destacou a existência de áreas com potencial para novos plantios. Segundo ele, estudos realizados com empresas do setor apontaram a possibilidade de incorporar cerca de 500 mil hectares à silvicultura no estado.

“Para manter um abastecimento sustentável, precisaríamos pelo menos mais 500 mil hectares”, afirmou o diretor-executivo da ACR ao comentar as estimativas relacionadas à demanda por madeira.

Mauro explicou que a expansão precisa considerar as particularidades de Santa Catarina, onde predominam propriedades rurais de menor porte. De acordo com ele, aproximadamente 90% dos imóveis rurais têm até 50 hectares, o que torna importante a integração da silvicultura às demais atividades agropecuárias. Nesse contexto, parcerias e arrendamentos vêm ganhando espaço como alternativas para viabilizar novos plantios e diversificar a renda dos produtores.

O executivo também chamou a atenção para a influência do preço da terra, do tempo necessário para o retorno financeiro e das condições de mercado sobre as decisões de investimento. Embora a silvicultura represente uma oportunidade para o agronegócio catarinense, a expansão depende de planejamento, disponibilidade de áreas adequadas e condições econômicas que favoreçam a implantação e a manutenção das florestas.


Burocracia e custos afetam a competitividade
Outro tema abordado por Mauro foi o tratamento fitossanitário exigido em operações de comércio exterior. O diretor-executivo explicou que, embora as empresas exportadoras precisem cumprir as normas aplicáveis aos mercados de destino, os procedimentos de inspeção e despacho aduaneiro podem gerar custos adicionais, atrasos e dificuldades logísticas.

“O Brasil é extremamente burocrático”, observou, ao comentar os entraves enfrentados pelos exportadores de madeira.
Entre os problemas citados estão a disponibilidade limitada de técnicos para inspeções, a movimentação de contêineres e o risco de perda das janelas de embarque quando as cargas aguardam procedimentos de fiscalização. Para Mauro, o aprimoramento dos processos e a busca por alternativas que agilizem as inspeções, inclusive com avaliações na origem quando viáveis, poderiam contribuir para reduzir custos e dar mais previsibilidade às operações.

O debate também contemplou os efeitos das tarifas comerciais sobre as exportações brasileiras, a evolução dos preços da madeira, os custos da colheita florestal, o custo do crédito e as perspectivas para os mercados de pinus e eucalipto. Os convidados discutiram ainda a importância da produtividade e do equilíbrio entre a remuneração do produtor florestal e a competitividade da indústria consumidora.

Para assistir o episódio completo, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=sAvVXpYr19s

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